1. Introdução
“E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno “mensagem das boas novas”, para o proclamar, “anunciar, pregar” (Ap 14:6,7, ACF e BKJ 1611).
“Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;” (Rm 3:24,25).
“Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.” (Gl 2:16).
“Isto, porém, eu sei, que nossas igrejas estão perecendo por falta de ensino sobre o assunto da justiça de Cristo, e verdades semelhantes.” Ellen G. White, Obreiros Evangélicos, p. 301).
“Ao nos aproximarmos do fim do tempo, devemos dedicar-nos ao estudo da salvação, para que tenhamos uma apreciação de quão altamente o Senhor valorizou a salvação do homem.” Review and Herald, 7 de outubro de 1890.
Qual a mensagem mais importante das Escrituras? Como o pecador é salvo. Deus revelou a preciosa verdade da Justificação pela Fé em Cristo Jesus.
Deus enviou ao Seu povo abundante luz sobre uma grande variedade de assuntos que são de especial interesse para aqueles que estão se preparando para viver a eternidade. Entre eles destaca-se a mensagem da Justificação pela Fé. Paulo falou sobre este assunto em suas cartas, especialmente aos Romanos e Gálatas. Redescoberto e anunciado por Martinho Lutero e outros reformadores, e tornado evidente na igreja adventista durante a mais importante assembleia da Associação Geral ocorrida na cidade de Minneapolis, Minnesota em novembro de 1888.
“O que é justificação pela fé? É a obra de Deus de lançar por terra a glória do homem, e fazer pelo homem aquilo que não está ao seu alcance fazer por si mesmo. Quando os homens veem sua própria inutilidade, preparam-se para ser revestidos com a justiça de Cristo.” (Review and Herald, 16 de setembro de 1902).
2. Contextualização sobre a mensagem da justificação pela fé de 1888.
A Igreja Adventista do Sétimo Dia foi levantada por Deus, para resgatar verdades (reparar a brechas) bíblicas esquecidas pelos protestantes e pisoteadas pelo sistema papal durante a idade média. A lei de Deus, o sábado, o estado dos mortos e o santuário.
É considerada um evento marcante na história da Igreja Adventista do Sétimo Dia . Os principais participantes foram Alonzo T. Jones e Ellet J. Waggoner , que apresentaram uma mensagem sobre justificação apoiada por Ellen G. White , mas resistida por vários líderes. A sessão discutiu questões teológicas cruciais, como o significado de "justiça pela fé", a natureza da Divindade, a relação entre lei e graça , e Justificação e sua relação com a Santificação.
Quando E. J. Waggoner chegou à Conferência, um quadro negro havia sido colocado na plataforma do orador com visões sobre a lei em Gálatas escritas nele. J. H. Morrison havia afixado sua assinatura sob a declaração: "Resolvido — Que a Lei em Gálatas é a Lei Cerimonial." Waggoner foi convidado a colocar sua assinatura sob a proposição oposta: "Resolvido — Que a Lei em Gálatas é a Lei Moral." Waggoner recusou, dizendo que não tinha vindo às reuniões para debater, mas para apresentar a verdade como ela é encontrada nas Escrituras.
Waggoner começou a apresentar o que havia descoberto na Bíblia sobre o assunto de Cristo e Sua justiça. "A pregação dos homens mais jovens (Waggoner tinha 33 anos, Jones tinha 38) era desafiadora para os líderes mais velhos.
Ellen White viu a importância da mensagem de 1888 trazida por Jones e Waggoner e o motivo pelo qual ela era necessária para os membros, o que pode ser visto em seus comentários sobre a mensagem da justificação pela fé.
"Muitos perderam Jesus de vista. Precisavam ter seus olhos direcionados para Sua pessoa divina, Seus méritos e Seu amor imutável pela família humana. Todo poder é dado em Suas mãos, para que Ele possa dispensar ricas dádivas aos homens, transmitindo o dom inestimável de Sua própria justiça ao desamparado agente humano." Testemunhos para Ministros, 92.
A mensagem de Waggoner apresentou Cristo em toda a Sua glória como o Salvador de toda a humanidade, ela trouxe equilíbrio entre Justificação e Santificação. Quando entendida corretamente através de uma apreciação do coração do que custou à Divindade redimir o homem caído do pecado, esta verdade resulta em uma rendição do coração à vontade de Deus, produzindo obediência fiel a todos os mandamentos de Deus.
Esta foi a mensagem de Cristo e Sua justiça apresentada por E. J. Waggoner e A. T. Jones na Conferência Geral de Minneapolis de 1888. Devido ao conflito, as apresentações de Jones e Waggoner foram recebidas friamente ou rejeitadas de forma direta por muitos dos líderes da denominação, apesar das palavras de Ellen White de que era a "velha luz", [ 29 ] algo que ela vinha pregando há décadas.
A mensagem, porém, não foi recebida de igual forma pelos participantes da assembleia. Houve sérias diferenças de opinião entre os líderes.
a) Classe 1 - Houve os que viram grande luz na mensagem e alegremente a aceitaram.
b) Classe 2 - Houve outros, porém, que se sentiram inseguros acerca do “novo ensino”, como eles o denominaram.
c) Classe 3 - Houve outros que decididamente se opuseram à mensagem.
“A mais doce das melodias de origem divina, vindas através de lábios humanos: Justificação pela fé e a justiça de Cristo.” (E. G. White, Review and Herald, 4 de abril de 1895).
3. Cristo, Justiça Nossa
Cristo justiça nossa é a sublime mensagem apresentada pelas Sagradas Escrituras. Quaisquer que sejam as formas ou as palavras usadas para expressar esta mensagem, e de qualquer perspectiva que ela seja analisada, seu tema central sempre será: Cristo nossa justiça.
O relato da criação revela a maravilhosa sabedoria e poder de Cristo, por quem todas coisas foram criadas (Cl 1:14-16).
O pecado do primeiro Adão, com todas as suas terríveis consequências, é relatado para que Cristo, o último Adão, seja aclamado como Redentor e Restaurador (Rm 5:12-21).
A morte, com todos os seus horrores, é colocada diante de nós para que Cristo seja exaltado e reconhecido como Doador de vida (1Co 15:22).
Os desapontamentos, sofrimentos e tragédias dessa vida são narrados para que Cristo possa ser buscado como o grande Confortador e Libertador (Jo 16:33).
Nossa pecaminosa, corrupta natureza é exposta em cores sombrias para que Cristo possa ser invocado por purificação, e possa ser para nós, verdadeiramente, o Senhor justiça nossa.
4. Aspectos sobre a Justiça de Deus
As Sagradas Escrituras apresenta a justiça de forma bem definida, tais como: Sua fonte, sua natureza, sua possibilidade de ser obtida pelos pecadores, e as condições pelas quais ela pode ser assegurada.
a) Dessa fonte de justiça nós lemos:
“A Ti, ó Senhor, pertence a justiça” (Dn 9:7).
“Justo é o Senhor em todos os Seus caminhos” (Sl 145:17).
“A Tua justiça é justiça eterna” (Sl 119:142).
“Porque o Senhor é justo, Ele ama a justiça” (Sl 11:7).
“Para anunciar que o Senhor é reto…nEle não há injustiça” (Sl 92:15).
b) Com respeito à natureza da justiça, as Sagradas Escrituras apresenta como o oposto do pecado, e é associada com santidade e piedade.
“Como justos, recuperem o bom-senso e parem de pecar” (1 Co 15:34).
“E vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef 4:24).
“Porque o fruto do Espírito está em toda bondade, e justiça e verdade” (Ef 5:9).
“Segue a justiça, a piedade, o amor, a constância, a mansidão” (1 Tm 6:11).
“Toda injustiça é pecado” (1 Jo 5:17).
As Sagradas Escrituras declara que Deus é a fonte da justiça, e que é um dos Seus santos e divinos atributos. Portanto, a justiça não é um aspecto da natureza humana, ao contrário, a natureza humana é repleta de injustiça.
“Todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3:23).
“Somos carnais, vendidos à escravidão do pecado” (Rm 7:14).
“Não há justo, nem um sequer” (Rm 3:10).
Que em nossa carne “não habita bem algum” (Rm 7:18).
Somos “cheios de toda a injustiça” (Rm 1:29).
c) Quais as condições
Desde a queda do homem, só há uma única maneira de obtermos a preciosa bênção da justiça. “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê … visto que a justiça de Deus se revela no evangelho de fé em fé, como está escrito: o justo viverá pela fé” (Rm 1:16,17).
5. Plano da Salvação
Mas Deus providenciou uma maneira pela qual nós podemos ser purificados de nossas injustiças, e ser vestidos com Sua perfeita justiça. Sendo essa provisão revelada a Adão tão logo que caiu.
Porque o homem pecou, a lei transgredida exigia sua morte e o Governante moral do universo, sendo justo, precisava punir o pecado. E Deus o fez, todavia, usando de misericórdia. Movido por Seu amor, Ele permitiu que houvesse um substituto que assumisse o lugar do pecador e recebesse o castigo e a morte. Mais do que isso, Ele providenciou o substituto. Ainda mais, Ele se ofereceu para ser este substituto. Em todo o universo só um que poderia ocupar o nosso lugar - um cuja o caráter fosse refletido plenamente na lei e que fosse, ao mesmo tempo, humano, para nos representar, e este é Cristo - o Deus-Homem. “... O Verbo (Palavra) era Deus… E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1:1 e 14). Nas palavras de Paulo, “Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5:8; Is 53:5,11). Pedro também declara que “não há salvação em nenhum outro, porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4:12).
Nas Sagradas Escrituras, Deus revela aos homens a Sua perfeita justiça e a maneira pela qual o pecador pode obter essa justiça: pela fé. É pela fé no sangue de Cristo que todos os pecados são perdoados, e a justiça de Deus é posta no lugar do pecador como crédito.
“Pela fé o pecador que tem desobedecido e ofendido a Deus, pode apresentar a Deus os méritos de Cristo, e Deus coloca a obediência de Seu Filho a crédito do pecador. A justiça de Cristo é aceita em lugar do fracasso humano.” (Review and Herald, 4 de novembro de 1890).
Na Cruz do calvário é declarada a maior expressão, manifestação e confirmação do amor e graça de Deus pelo pecador. E, ao pecador se render, se arrepender, confessar os pecados, e pela fé aceitar a Cristo como seu Salvador, ele é aceito como filho de Deus. Seus pecados são perdoados, sua culpa é cancelada, ele é considerado justo e se apresenta aprovado, justificado perante a lei divina, ou seja, o pecador é justificado pela fé “Abraão creu em Deus, e isto lhe foi imputado para a justiça” (Rm 4:3).
6. Conclusão
“Deus vos envia ao mundo como representantes Seus. Em cada ato da vida deveis tornar manifesto o nome de Deus. Esta petição, ‘santificado seja o Teu nome’, é um convite para que possua o caráter dEle. Não Lhe podeis santificar o nome, nem podeis representá-Lo perante o mundo, a menos que na vida e no caráter representeis a própria vida e caráter de Deus. Isto só podereis fazer mediante a aceitação da graça e justiça de Cristo.” (Ellen G. White, O Maior Discurso de Cristo, p. 107).
“ A mensagem presente - Justificação pela Fé - é uma mensagem vinda de Deus; tem as credenciais divinas, pois seu fruto é para a santidade.” (Review and Herald, 3 de setembro de 1889). Esta é a terceira mensagem angélica que deve ser proclamada com alto clamor e regada com o derramamento do Espírito Santo em grande medida.” (Testemunhos para Ministros, p. 91 e 92).
“Há tristeza no Céu por causa da cegueira de muitos de nossos irmãos. [...] O Senhor tem suscitado mensageiros aos quais dotou com o Seu Espírito e lhes ordenou: ‘Clama em alta voz, não te detenhas, levanta a tua voz como a trombeta e anuncia a Meu povo sua transgressão, e à casa de Jacó os seus pecados.’ (Is 58:1). Que ninguém corra o risco de se interpor entre o povo e a mensagem do Céu. A mensagem de Deus será proclamada; e se não houver nenhuma voz dentre o povo para transmiti-la, as próprias pedras clamarão. Eu apelo a cada ministro a que busque ao Senhor, ponha de lado o orgulho e humilhe o coração perante Deus. É a frieza de coração, a descrença daqueles que deviam exercer fé, o que mantém as igrejas em fraqueza.” (Review and Herald, 26 de julho de 1892).
“Nestas horas finais da história da Terra, “um interesse prevalecerá, um assunto dominará sobre todos os outros - Cristo Justiça Nossa.” E.G.White, Review and Herald, 23/12/1890.
“Naqueles dias Judá será salvo e Jerusalém habitará seguramente; e este é o nome com o qual Deus a chamará: O Senhor é a nossa justiça” (Jr 33:16).
“Quando você rejeita a mensagem trazida por esses homens, você rejeita a Cristo, o Doador da mensagem.” (The Ellen G. White, 1888 Materiais, P. 1353).
Referências:
Arthur G.Daniells. O Senhor, Justiça Nossa. CPB, 1988.
